quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Quarto Montessoriano


Este post é muito especial, trata do quarto Montessoriano, ou simplesmente, quarto sem berço e eu estou apaixonada pelo tema.
Para começar o método montessoriano foi criado pela italiana Maria Montessori e prima pela experiência, liberdade de aprendizagem, harmonia e inteligência. Segundo o método, o quarto deve ser agradável para o bebê de maneira a adaptar-se ao seu desenvolvimento. No berço o bebê estaria limitado para se "aventurar" tentar engatinhar, brincar, conhecer... e com o colchão no chão, assim como as prateleiras acessíveis, a criança poderia curtir e conhecer seu quarto, aprendendo através da sua experiência de descer do colchão e sentir liberdade para brincar com o que é seu, sem depender, necessariamente, dos pais para lhe tirar do berço. Let's go!



É importante ter em mente que o quarto deve refletir a personalidade do seu filho. Se ele tem um personagem preferido, este pode ser adotado nas paredes, através de pinturas, adesivos e etc... o método também revê a presença de uma cadeirinha e mesinha, tudo pensado para a criança.


Ao invés do colchão você pode simplesmente adotar uma caminha mais baixa (se o seu bebê já andar bem).


Eu penso em adotar esta ideia para o quarto do meu filho, uma cabaninha para brincar é ótimo!


De acordo com o método Montessoriano, um tapete no quarto é fundamental para o desenvolvimento do bebê, pois ele terá mais liberdade para se exercitar, rolar engatinhar, sem grandes riscos de se machucar.


Ao invés do carpete, você pode usar tatame, daí já fica para os exercícios futuros de artes marciais ; )


Você também pode mandar fazer uma caminha de madeira, porém, sem os pés.


E com bastante elementos para descobrir...


Prateleiras ao alcance do bebê.


Me apaixonei por essa luminária.


e espelhos, para que a criança possa se olhar e se conhecer...

Estou adotando o método montessoriano no quarto do meu príncipe, depois posto um antes e depois.


domingo, 18 de novembro de 2012

As separações e a crise dos oito meses


Dimitri ainda não chegou nessa fase, estamos no quarto mês. Mas lendo a página Soluções para noites sem choro do facebook, encontrei essa matéria super interessante e importante.


Quando o bebê chega aos seis-oito meses de idade, começa a operar a angústia da separação que, geralmente, continua a se manifestar de uma forma ou outra até os cinco anos. Em breve o bebê começa a sentir pânico quando não vê sua mãe. É preciso levar a sério a intensidade dos seus sentimentos. A mãe é o seu mundo, é tudo para o bebê, representa sua segurança.


Um pouco de compreensão

O bebê não está “chatinho” nem “grudento”. O sistema de angústia da separação, localizado no cérebro inferior está geneticamente programado para ser hipersensível. Nos primeiros estágios da evolução era muito perigoso que o bebê estivesse longe da sua mãe e, se não chorasse para alertar seus pais do seu paradeiro, não conseguiria sobreviver. O desenvolvimento dos lóbulos frontais inibe naturalmente esse sistema e, como adultos, aprendemos a controlá-lo com distrações cognitivas.

Se você não está, como ele sabe que você não foi embora para sempre?

Você não pode explicar que vai voltar logo, porque os centros verbais do seu cérebro ainda não funcionam. Quando ele aprender a engatinhar, deixe-o segui-la por todas as partes. Sim, até ao banheiro.

Livrar-se dele ou deixá-lo no cercadinho não só é muito cruel, também pode produzir efeitos adversos permanentes. Ele pode sentir pânico, o que significa um aumento importante e perigoso das substâncias estressantes no seu cérebro.
Isso pode resultar em uma hipersensibilização do seu sistema de medo, o que lhe afetará na sua vida adulta, causando fobias, obsessões ou comportamentos de isolamento temeroso. Pouco a pouco, ele vai sentir-se mais seguro da sua presença na casa, principalmente quando comece a falar.


A separação aflige as crianças tanto quanto a dor física

Quando o bebê sofre pela ausência dos seus pais, no seu cérebro ativam-se as mesmas zonas que quando sofre uma dor física. Ou seja, a linguagem da perda é idêntica à linguagem da dor. Não tem sentido aliviar as dores físicas, como um corte no joelho e não consolar as dores emocionais, como a angústia da separação. Mas, tristemente, é isso o que fazem muitos pais. Não conseguem aceitar que a dor emocional de seu filho é tão real como a física. Essa é uma verdade neurobiológica que todos deveríamos respeitar.


Às vezes, impulsamos nossos filhos a ser independentes antes do tempo

Nossas decisões como padres podem empurrar nossos filhos a uma separação prematura. Um exemplo seria enviá-los a um internato (1) pequenos demais. As crianças de oito anos ainda podem ser hipersensíveis à angústia da separação e ter muita dificuldade em passar longos períodos de tempo longe dos seus pais. Sua dor emocional deve ser levada a sério. O Sistema GABA do cérebro é sensível âs mais sensíveis mudanças do seu entorno, como a separação de seus pais. Estudos relacionam a separação a pouca idade com alterações desse sistema anti-ansiedade.


As separações de curto prazo são prejudiciais

Alguns estudos detectaram alterações a longo prazo do eixo HPA do cérebro infantil devido a separações curtas, quando a criança fica aos cuidados de uma pessoa desconhecida. Esse sistema de resposta ao estresse é fundamental para nossa capacidade de enfrentar bem o estresse na vida adulta. É muito vulnerável aos efeitos adversos do estresse prematuro. Os estudos com mamíferos superiores revelam que os bebês separados de suas mães deixam de chorar para entrar num estado depressivo.

Param de brincar com os amigos e ignoram os objetos do quarto. À hora de dormir há mais choro e agitação. Se a separação continuava, o estado de auto-absorção do filho se agravava e lhe conduzia à letargia e a uma depressão mais profunda.

Pesquisas realizadas nos anos setenta demonstraram que alguns bebês cuidados por pessoas desconhecidas durante vários dias entravam em um estado de luto sofriam de um trauma que continuava a afligir-lhes anos depois. Os bebês estudados estavam sob os cuidados de adultos bem intencionados ou em creches residenciais durante alguns dias. Seus pais iam visitá-los, mas basicamente, estavam em mãos de adultos que eles não conheciam.

Um menino que se viu separado de sua mãe durante onze dias deixou de comer, chorava sem parar e se jogava ao chão desesperado. Passados seis anos, ele ainda estava ressentido com sua mãe. Os pesquisadores observaram a inúmeras crianças que haviam sido separadas de seus pais durante vários dias e se encontravam em estado de ansiedade permanente. Muitos passavam horas imóveis, olhando a porta pela qual havia saído sua mãe. Aquele estudo, em grande parte gravado em filme, mudou no mundo inteiro a atitude em relação às crianças que visitam suas mães no hospital.

Mas, não é bom o estresse?

Algumas pessoas justificam sua decisão de deixar o bebê desconsolado como uma forma de “inoculação de estresse”. O que significa apresentar ao bebê situações moderadamente estressantes para que aprenda a lidar com a tensão. Aqueles que afirmam que os bebês que choram por um prolongado período de tempo só sofre um estresse moderado estão enganando a si mesmos.

[1]Nota da tradutora: no Reino Unido o sistema de internato é comum.

Tradução de um capítulo do trecho O Choro e As Separações, do livro The Science of Parenting, de Margot Sunderland.

Tradução de Bel Kock-Allaman

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Apego

Tenho ficado assustada com a quantidade de comentários, movimentos, livros e palestras que tratam a "independência infantil". Li em vários grupos de debates e blogs mamães falando com orgulho que nunca dormiram com seus filhos, evitavam lhe dar colo para que ele não se acostumasse mal e o pior de tudo, deixavam-no chorando para que aprendesse a dormir sozinho. Gente, que horror!
Já pararam para imaginar como deve ser traumático para um bebê que saiu da barriga da mamãe, um lugar escurinho, quentinho e seguro, e vai parar em um bercinho de hospital, sendo carregado apenas nos momentos da amamentação? Gente, eu li uma mãe relatar isso com todo orgulho, ainda dizendo que sua família foi super contra.
Depois me enviaram o link para ler o "Nana nenen", achei interessante a parte da alimentação, a importância da rotina, mas quando comecei a ler a parte de como acostumar o seu filho a dormir sozinho, confesso que fiquei tão triste que senti uma revolta profunda. O livro diz que o bebê que precisa aprender a dormir sozinho deve ficar em seu quarto, no berço... e se chorar para mãe aguardar  alguns minutos, ir vê-lo e depois sair novamente e assim repetir o processo, até que, por cansaço, a criança durma. Imaginem a sensação de abandono, a tortura e coisas ruins que sentem essa criança...
Sigo duas premissas que considero super importantes: Educar exige paciência e dar carinho exige vontade!
Mãe sempre será mãe, boa ou ruim, carinhosa ou fria... sempre será mãe! Seu filho, embora seja seu filho para sempre, só passará pela infância uma vez, assim como pela adolescência, juventude até que chegue à maturidade, mas até que isso aconteça, sabemos que essas fases de transição a gente nunca esquece. Infância e juventude são as fases das descobertas, do encantamento... e seria muito bom ter um amigo de verdade por perto, o ombro amigo, o porto seguro e isso é papel dos pais! Agora eu me pergunto, como se tornar melhor amigo tendo como base uma relação fria? Uma relação entre um filho criado pela babá e educado na creche desde os primeiros meses e os pais que não têm tempo para brincar, conversar, ser amigo, ser pais...
Hoje é muito difícil a mãe permanecer em casa nos dois primeiros anos do filho, por várias questões, principalmente a financeira. Mas isso não a impede de ter "apego" ao seu filho, de acarinhá-lo, fazê-lo dormir contando-lhe uma história e lhe acariciando os cabelos, de carregá-lo no colo, de dizer a ele o quanto é amado e coisas do tipo. 
O mundo está frio, as pessoas estão frias, criminosos cada vez mais jovens, filhos revoltando-se contra pais e a vida do outro que já não vale muita coisa... dá medo sair de casa, dá medo deixar o filho crescer em um mundo como esse... esta sensação de pânico tem feito com que as pessoas repensem seus sistemas educacionais, seus posicionamentos, suas relações, e nesse contexto tem crescido o movido pela "criação com apego" que busca em pesquisas empíricas e bases científicas explicações que demonstram que crianças criadas com carinho, que têm colo, que dormem com os pais, que tem muito contato físico são crianças mais felizes, saudáveis, inteligentes e obedientes.
Deixem seus filhos crescerem naturalmente, cada coisa a seu tempo! Bebes não têm manias, eles têm necessidades. Aproveitem cada etapa de suas vidas, aproveitem a mama da madrugada para contemplar seu filho tão pequeno, tão puro em seus braços.
Dar carinho não é mimar, mas sim, criar um ser humano seguro e feliz!