Introduzir ou não introduzir outros alimentos antes do seis meses de vida? Bem, isso tem gerado inúmeras discussões nos grupos que participo e o que tenho percebido é que apesar das orientações da Organização Mundial da Saúde de amamentar exclusivamente no peito até os seis meses de vida, ainda há muitas mães com dificuldades em manter o bebê exclusivamente no peito até o 6º mês de vida, isso por inúmeros fatores, sendo o principal, a necessidade de voltar ao mercado de trabalho, obrigando-a a deixar o filho em casa ou em uma creche.
Mas pesquisando sobre a introdução de outros alimentos, encontrei esse texto do Dr. Calos Gonzáles, quem eu admiro muito, espero que gostem.
"Os conflitos entre a mãe o filho durante a amamentação ou uso de mamadeiras podem ser terríveis, mas ainda bem que são pouco frequentes A introdução de alimentos sólidos é uma oportunidade nova de perigo e devemos trilhar este caminho com cuidado.
Para esclarecer, quando mencionamos “sólidos”, não nos referimos apenas aos alimentos oferecidos ao bebê com uma colher. Usaremos o termo para referir-se a qualquer comida além de leite humano ou leite modificado, mesmo água, chá ou comidas duras como biscoito.
Muitas mães encontram-se sobrecarregadas de informação a respeito de regras, grandes, pequenas e médias envolvendo alimentação de bebes Elas recebem conselhos de pediatras e enfermeiros algumas informações muito mais complexas e detalhadas que aquelas dadas pelos especialistas famosos, palpites de família e amigos, bem como as “conversas de comadre” que alertam sobre evitar comidas “reimosas” ou “incompatíveis”.
Incapaz de seguir todas as regras ao mesmo tempo, muitas vezes a mãe opta por rejeitar todas e fazer somente aquilo que ela quer. O risco é de que ela ignore as recomendações realmente importantes. Para evitar tal problema, vou diferenciar claramente entre as opções onde há um grau de consenso em relação à sua importância (baseadas numa combinação de normas internacionais) e aquelas sugestões que parecem úteis, embora outros profissionais possam ter opções diferentes.
Pontos Importantes
Tenha em mente os seguintes pontos, embora eles não devam ser tomados como dogma:
1. Nunca force uma criança a comer.
2. Amamente exclusivamente até 6 meses (sem papinhas, suco, água, chás, etc.).
3. Aos 6 meses, comece (sem forçar) a oferecer outros alimentos, sempre depois da mamada ao seio. Bebes não amamentados devem tomar 500ml de leite artificial por dia.
4. Introduza os alimentos um de cada vez, esperando uma semana entre comidas novas. Comece com quantidades pequenas.
5. Ofereça alimentos que contêm glúten (trigo, aveia, centeio) com precaução.
6. Quando cozinhar para o bebê, escorra bastante o alimento, evitando encher a barriga dele com água.
7. Espere até 12 meses de idade para introduzir alimentos altamente alergênicos (especialmente laticínios, clara de ovo, peixe, soja, amendoim e muitas outras comidas que já causam alergia em membros da família).
8. Não acrescente sal ou açúcar aos alimentos.
9. Continue amamentando por 2 anos ou mais.
Em algumas situações pode-se introduzir sólidos antes de 6 meses (mas nunca antes de 4): quando a mãe trabalha, por exemplo. Ou quando a criança claramente pede para ser alimentada agarrando o alimento e colocando-o na boca sozinha.
“Oferecer” significa que, se ele quiser comer, o bebê come, mas se não quiser, não come. Muitas crianças recusam tudo menos o seio até 8 ou 10 meses, muitas vezes mais.
Alimentos sólidos são oferecidos depois da amamentação, não antes, e certamente não em substituição à amamentação. Somente assim você tem certeza de que seu bebê tomará o leite de que precisa. Acredita-se que entre 6-12 meses, o bebê precise de cerca de 500 ml de leite por dia. Claro que isso é uma média, muitos tomam mais e outros ficam bem com menos. Uma criança que toma mamadeira pode facilmente ficar bem com 2 mamadeiras de 250 ml ao dia. Não é razoável, porém, esperar que um bebê amamentado tome 250 ml a cada 12 horas; os seios da mãe ficariam desconfortavelmente cheios. Faz mais sentido para bebês amamentados tomar 100 ml cinco vezes por dia, ou 70 ml sete vezes por dia. Certamente você não sabe (ou não sabia antes de iniciar os sólidos) quanto leite seu bebê mama; mas se ele é amamentado antes da oferta de sólidos, você fica tranqüila sabendo que ele mama o que precisa.
Que comidas devo oferecer primeiro?
Não importa. Não há base científica que suporte a recomendação de um alimento antes de outro. Se você oferecer frutas primeiro, seguidas por cereal, depois frango, você estará seguindo as orientações da ESPGAN (Sociedade Européia de Gastroenterologia e Nutrição Pediátricas). Mas se você der frango, depois legumes e cereais por último, também estará dentro das normas.
Digamos que você decida começar com banana amassada. Depois da amamentação, ofereça ao bebê uma ou duas colheres. No primeiro dia é sempre melhor oferecer só um pouquinho, ainda que ele aceite bem. Se ele recusar a primeira colherada, não insista, mas continue oferecendo a cada um ou dois dias. Se ele aceitar bem, você pode aumentar a quantidade a cada dia. Depois de uma semana, você pode tentar outro alimento, como batata doce ou abacate. Na semana seguinte, pode oferecer um pouquinho de arroz. Cozinhe arroz (melhor ainda, cozinhe até virar papa), sem adicionar sal. Você pode adicionar azeite (ficará mais saboroso e terá mais calorias).
Esta ordem é só um exemplo, você pode inverter, se quiser. Claro, se alguma das comidas causar diarréia ou outros sintomas, ou se o bebê rejeita veementemente, é melhor esperar algumas semanas. Se uma reação mais severa é observada, como uma vermelhidão na pele, consulte o pediatra.
Também não é necessário introduzir uma comida nova a cada semana. Variedade significa um pouco de cereais, um pouco de legumes, um pouco de frutas – mas não é vital que o bebê coma muito de cada grupo. Maçãs não possuem nada diferente das peras e a maioria dos adultos vive bem comendo apenas dois tipos de ceral: arroz e trigo, deixando o resto para o gado. Se seu filho já come frango, você não estará acrescentando nada ao oferecer novilha. Antes de 1 ano, a introdução de muitos alimentos diferentes somente significa comprar mais bilhetes para a loteria da alergia.
A razão principal de oferecer outros alimentos ao bebê com 6 meses (e não depois) é que alguns bebês precisam de ferro extra. Portanto, seria lógico que comidas ricas em ferro fossem introduzidas primeiro. Por um lado, há carnes com alto teor de ferro orgânico altamente biodisponível. Por outro, há legumes, leguminosas e cereais que contêm ferro inorgânico, mais difícil de ser absorvido a menos que esteja combinado com vitamina C. É por isso que muitos adultos comem a salada primeiro (rica em vitamina C), depois os grãos e legumes, com a sobremesa por último. O que é comumente feito com bebês na Espanha não é uma idéia muito boa, oferecendo a eles somente grãos numa refeição, legumes na outra e fruta na próxima. Quando seu bebê ingere muitos alimentos, é uma boa idéia combiná-los , oferecendo-os numa mesma refeição (não batendo todos juntos no liqüidificador) ao invés de fazer menus monocromáticos (“hora do cereal”).
E se ele não quer comer comida de bebê?
Não se preocupe, isso é totalmente normal. Não tente forçá-lo. Você talvez tenha sido aconselhada a oferecer sólidos antes do peito, assim ele estará com fome suficiente para comer. Isso não faz o menor sentido, uma vez que o leite materno nutre muito mais que qualquer outro alimento. É por esta razão que usamos o termo “alimentação complementar”. Sólidos não são nada mais que um complemento ao leite materno. Se seu bebê mama e depois rejeita frutas, nada acontece; mas se ele aceita fruta e depois não mama, ele sai perdendo. Mais fruta e menos leite é uma receita para perda de peso.
O mesmo vale para leite artificial. Lembre-se de que se você não está amamentando, você precisa dar ao bebê meio litro de leite diariamente até que ele tenha 1 ano de idade. Não é bom negar o leite para que ele coma mais."
Do livro My Child Won't Eat, Dr. Carlos González.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Evitando a fadiga =)
Ser mãe é uma maravilha! Mas é cansativo! E se a gente não se concentrar para manter o controle, a gente simplesmente pira!
A maternidade é uma vida nova que assusta e faz feliz. Nós últimos momentos de gravidez a gente não vê a hora de ter o bebê nos braços, ver seu rostinho e curtir o momento. Mas após o parto: a crise! O que fazer?
Com o tempo as coisas vão se arrumando, mãe e bebê passam a se conhecer, se entender e se amar mutuamente, mas o tempo da mamãe se torna mínimo para cuidar das suas próprias coisas.
Tenho acompanhado nos fóruns que participo, o desespero de algumas mães que não conseguem fazer nada, nem arrumar a casa, fazer comida e algumas vezes, nem tomar banho e por essa razão, a mãe fica uma pilha, se entristece, se aborrece, briga, chora e apesar de toda felicidade em ter seu bebê, o cansaço lhe tira do sério.
Eu passei muito por isso, na verdade ainda passo. Mas resolvi tomar algumas medidas que tem ajudado bastante.
1º. Não guarde os seus sentimentos. Se está cansada e triste, converse com alguém.
2º. Peça ajuda. Quem já passou por isso sabe o quanto é difícil e vai fazer o possível ara lhe ajudar.
3º. Dê uma voltinha sempre que possível, mesmo que seja para ir comprar pão na esquina.
4º. Não tente fazer tudo de uma vez, pois além de você não conseguir fazer nada, ainda vai se sentir frustrada e aborrecida.
5º. A hora do bebê é a hora do bebê! Quando o bebê quiser brincar, conversar, interagir... dê atenção a ele. Ao invés de ficar adiando o carinho ou a brincadeira, o melhor é brincar bastante, um tempinho depois ele vai ficar cansado, ai você pode niná-lo até que ele durma. Daí você terá tempo para fazer o resto das coisas. E o melhor, você terá dado atenção ao seu filho e poderá se concentrar nas outras atividades.
"Keep calm and carry on"!
domingo, 30 de setembro de 2012
De volta ao trabalho!
Dói! Dói muito deixar o bebê em casa! A sensação de culpa é inevitável. Surgem tantas questões e a gente percebe o quanto é apaixonada, mais do que se pensava!
Eu precisei voltar ao trabalho uma semana antes do Dimitri completar dois meses. Voltei por necessidade e por entender que além de precisar amar, o bebê precisa morar, vestir, ter plano de saúde, brinquedos, fraldas, produtos de higiene e etc e etc...
Doeu mais do que eu imaginava, mas aos poucos a gente vai se ajeitando, cada dia é menos pior que o dia anterior. Pra mim não foi tão difícil porque não precisei ficar parece louca atrás de uma babá de confiança (muito importante!), pois, minha mãe resolveu ficar (o que ela mais queria na vida!). Além disso, meu marido também fica em casa pela parte da manhã (o que controla os mimos da avó). Maaaaas, mãe é mãe!
Hoje em dia a maioria das mães precisam deixar suas crias em casa e saem para trabalhar, aliás, por essa razão tantos livros têm sido escritos para tentar ajudar as mães a criarem filhos mais independentes, já pensando nisso (assunto para outro post!). Por essa razão, resolvi compartilhar meus sentimentos na primeira semana de trabalho.
1º dia - O pior de todos
Lágrimas nos olhos. Juro que pensei em desistir, em voltar atrás e a todo momento eu pensava: isso não é justo com nenhuma mãe! Mas segui ir em frente! Ficava olhando a foto do Dimitri no celular e tentava controlar a vontade de chorar. Cheguei no trabalho com aquela sensação de primeiro dia na escola: vontade de ir pra casa! O chefe, muito compreensivo, com dois filhos para criar e mulher grávida novamente, resolveu permitir que eu só trabalhe meio expediente, por enquanto! Por essa razão, só liguei para casa 3 vezes durante a manhã.
2º dia - tentando me adaptar
É impossível não ter a sensação de que está se perdendo muitas coisas: sorrisos, carinho, choros, fraldas e tudo que vale a pena vivenciar! Liguei pra casa apenas duas vezes e com as mesmas perguntas: ele está acordado? Dormiu bem? Mamou? Chorou? Brincou? Vou tentar sair cedo, chegar rápido, estar logo aí... dói muito, mas aos poucos a gente vai se readaptando
3º dia - tentando me concentrar
Nossa! Dá um ciúme horrível deixar alguém em casa cuidando do nosso bebê. Chegar em casa e ouvir as gracinhas dele contadas por outra pessoa é horrível, mesmo que essa pessoas seja a avó. Isso me fez confirmar que não importa quem fique com o seu filho, se é o pai, a avó ou uma tia... mãe é mãe. Mas, apesar de tudo, tentei me concentrar no trabalho, lembrar que os filhos crescem e precisam de roupas novas.
4º dia - rezando para a semana acabar
E aos poucos a rotina nos vai dando segurança. Já consegui me focar mais no trabalho e tentar produzir o máximo possível em menos tempo. A dor no coração continua, mas aos poucos a gente se ajeita, a gente suporta.
5º dia - enfim, a semana acabou
Pareceu uma eternidade, mas passou. a sensação que ficou é a de dever cumprido. Sim! Aquela culpa de mãe, de ter que deixar o filho em casa e trabalhar vai dando lugar a uma sensação de segurança e orgulho. Orgulho de dar conta do recado. Pois, isso que é importante: continuar com a vida de antes, porém com o sentimento de plenitude que só a maternidade nos dá.
Para mim pode ter sido um pouco mais fácil por ter minha mãe por perto e ela cuidar do bebê enquanto eu saio para o trabalho, porém, nem todas têm essa sorte, por isso, destaco alguns pontos que considero importante para as mamães que irão passar por isso:
1. Quem vai ficar com o bebê.
Creio que isso é o mais importante. Se a você não confiar em quem vai ficar em casa, não adianta sair, pois você não vai conseguir fazer nada direito. Se você não conseguir alguém com disponibilidade dentro da sua própria família, é bom pedir indicações de pessoas de confiança e ainda assim pedir contatos de trabalhos anteriores. Outra opção é procurar agências que trabalhem com essas profissionais e, muito importante, converse bem sobre a forma como quer que seu filho seja cuidado e informe-se sobre os direitos trabalhistas.
2. Se o bebê só mama, tente organizar desde já os horários da mamada, pois, se você conseguir parar em casa na hora do almoço, você pode amamentá-lo, claro, ainda assim será necessário tirar o leite para que ele tome enquanto você não chega.
3. Se organize.
Tente não contratar alguém tão próximo da data que você retornará ao trabalho. Isso é muito importante para que seu filho não estranhe. Além disso, é importante que você conviva com a babá para ter certeza que ela é a pessoa ideal para cuidar do seu filho.
4. Converse com o seu filho, mesmo achando que ele não vai entender nada, pois, esse diálogo vai ser importante para que você mesma se acostume com a ideia de distância.
5. Tenha em mente que se sentir culpada é inevitável. Por essa razão, tente pensar no seu lado profissional, relembrar seus planos e procurar oportunidades de aperfeiçoamento, isso vai lhe fazer bem.
6. E lembre-se que a lei permite que toda lactante tenha o direito de fazer duas pausas de 30 minutos para que possa amamentar, sendo que este tempo pode ser negociado em uma hora e escolhido pela mãe.
Por hora, foi isso que minha experiência me permitiu perceber, mas vamos continuar trocando figurinhas. Afinal, a maternidade é uma aventura cheia de grandes surpresas.
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